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Caro Merten do Estado de São Paulo:
Não costumo escrever para quem escreve crítica sobre algum trabalho meu mas neste caso o faço por um motivo bem particular. Seu artigo sobre meu filme “Romance” responde ao que eu acho que seja a função da crítica: analisar mais do que fazer julgamentos de valor.
Entendi sua posição como simpática ao filme mas até agora já li elogios mais rasgados (assim como espinafrações idem) e portanto não é por isso que lhe escrevo mas para elogiar o respeito com que você procurou, antes de julgar, entender nossa proposta.
Pra mim, mais importante que qualquer julgamento, são algumas análises do tipo:
“Toda a parte de criação, de ensaio, da peça dentro do filme exacerba o cotidiano e cria um universo controlado de referências”. Durante todas as entrevistas que dei sobre o filme nesta fase de lançamento não consegui formular melhor o tom do filme do que você o fez com este “cotidiano exacerbado”. Nem consegui expressar de forma tão sucinta um dos dilemas do protagonista, que é o mesmo meu e do grupo com que trabalho na tv, quanto você quando escreve que: “Pedro quer fazer arte num meio essencialmente industrial. Quando ele trapaceia para atingir seu objetivo - e consegue -, está subvertendo ou servindo ao sistema?”
Por fim, eu que tenho fixação pelos finais de história, adorei a minha declaração com que você terminou o artigo, acho até que resgatada de outra conversa nossa, e que denota mais uma vez o cuidado com que você o escreveu:
“Prefiro que falem mal de mim e respeitem meus atores. Eles são maravilhosos.”
Um grande abraço
Guel
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